Assim que fiquei sabendo da Resolução de Avaliação da Prefeitura me posicionei contra a medida. Em primeiro lugar por se tratar de um ato absolutmente autoritário e contrario a escola democrática e autonoma que defendo. Em segundo lugar por entender que muito distante das teorias que diziam sutentar a Avaliação pretendida a Resolução tinha muito antes o propósito de aprofundar e legitimar de vez o processo de mascaramento da realidade do fracasso escolar, o que em minha forma de ver contribui não para a solução mas para o agravamento do problema.
Isso me colocou em uma situação constrangedora, ocupando um entre-lugar que me rasgava ao meio. De uma hora para outra lá estava eu me colocando ao lado dos críticos do Ciclo de Formação, contra uma escola que defendo e acredito, porque a minha Secretaria resolveu implenta-la no grito, de forma equivocada, e sem garantir a infra-estrutura humana mínima para que essa escola se tornasse materialmente possível. Tive que lutar contra a escola que quero porque não a quero de qualquer jeito.
A notícia da aprovação da lei municipal 181 ao contrario de soar como vitória me encheu mais ainda de preocupação...de repente percebi o quanto tudo isso era perigoso, e talvez por minha convivencia com sindicalistas e pessoas ligadas à política em minha juventude, comecei a imaginar se tudo isso era gratuito? Quem perdeu e quem ganhou o que???
Ao tentar implantar o Ciclo desta maneira, sabendo da resistencia e da falta de sustentação material e humana, a Secretaria não estaria fortalecendo exatamente o movimento contrário? Não estariam provocando esta reação, esta mobilização que a exemplo da "familia, Deus e bla bla bla " marcha pela conservação dos valores mais burgueses, mais elitistas, da escola mais bancaria e conservadora. Não estaria eu lutando ao lado de um movimento que no fundo no fundo se mostra reacionário e clama pela volta da escola conteudista, excludente? Não estariamos sendo apenas marionetes neste jogo? A secretaria não estaria apenas colocando um bode em nossas casas para que quando o tirar acharmos que esta tudo uma maravilha? Não estamos sendo vítimas de uma política que usa nosso discurso contra nós mesmos? Desqualifica-o para depois apresentar sua verdadeira proposta e não encontrar nenhuma resistencia?
Fico imaginando que o primeiro candidato que subir em um palanque oferecendo aos pais, alunos e professores um discurso meritocrático, prometendo uma escola "como de antigamente" um ensino"forte" "puxado" , com provas objetivas, notas numéricas e reprovação em todas as séries seria ovacionado por grande parte da comunidade escolar...e tenho medo, muito medo de estar participando da construção dessa possibilidade.
Sinto-me traida, mas não sei ainda ao certo por quem...temo que por mim mesma. Talvez o tempo e a história poderão esclarecer este momento.
Isso me colocou em uma situação constrangedora, ocupando um entre-lugar que me rasgava ao meio. De uma hora para outra lá estava eu me colocando ao lado dos críticos do Ciclo de Formação, contra uma escola que defendo e acredito, porque a minha Secretaria resolveu implenta-la no grito, de forma equivocada, e sem garantir a infra-estrutura humana mínima para que essa escola se tornasse materialmente possível. Tive que lutar contra a escola que quero porque não a quero de qualquer jeito.
A notícia da aprovação da lei municipal 181 ao contrario de soar como vitória me encheu mais ainda de preocupação...de repente percebi o quanto tudo isso era perigoso, e talvez por minha convivencia com sindicalistas e pessoas ligadas à política em minha juventude, comecei a imaginar se tudo isso era gratuito? Quem perdeu e quem ganhou o que???
Ao tentar implantar o Ciclo desta maneira, sabendo da resistencia e da falta de sustentação material e humana, a Secretaria não estaria fortalecendo exatamente o movimento contrário? Não estariam provocando esta reação, esta mobilização que a exemplo da "familia, Deus e bla bla bla " marcha pela conservação dos valores mais burgueses, mais elitistas, da escola mais bancaria e conservadora. Não estaria eu lutando ao lado de um movimento que no fundo no fundo se mostra reacionário e clama pela volta da escola conteudista, excludente? Não estariamos sendo apenas marionetes neste jogo? A secretaria não estaria apenas colocando um bode em nossas casas para que quando o tirar acharmos que esta tudo uma maravilha? Não estamos sendo vítimas de uma política que usa nosso discurso contra nós mesmos? Desqualifica-o para depois apresentar sua verdadeira proposta e não encontrar nenhuma resistencia?
Fico imaginando que o primeiro candidato que subir em um palanque oferecendo aos pais, alunos e professores um discurso meritocrático, prometendo uma escola "como de antigamente" um ensino"forte" "puxado" , com provas objetivas, notas numéricas e reprovação em todas as séries seria ovacionado por grande parte da comunidade escolar...e tenho medo, muito medo de estar participando da construção dessa possibilidade.
Sinto-me traida, mas não sei ainda ao certo por quem...temo que por mim mesma. Talvez o tempo e a história poderão esclarecer este momento.

3 comentários:
Boa noite, Andréa.
Meu nome é Haila e também trabalho na rede. Me sinto, de forma semelhante a você, sendo obrigada a me colocar contra o Ciclo, no qual eu acredito. Mas todo o processo de implementação está errado. Nã se mudam paradigmas com resoluções, nem se trocar certezas por decretos... se nem os CPs foram preparados para a mudança.
Sou CP e só agora estou fazendo aprofundamentos sobre os ciclos. Meu curso é ótimo, mas está acontecendo com 1 ano de atraso. Com turmas de 38 alunos no 4º ano e com várias crianças na turma para alfabetizar, que tempo sobrará para acompanhar o desenvolvimento e registrá-lo?
Tudo isso periga, sim, como o pêndulo, a nos levar para o lado oposto: autoritarismo e reprovação. Porém nã sei o que é mais cruel: se é reprovar e destruir todas as construções de um ano de trabalho, ou ver passar quem não obteve sucesso por pura falta de condições.
Andrea,
Achei curiosa a idéia do bode. Porque mostra bem, como nos (povo brasileiro) está perdido. Não sabemos simplesmente onde queremos chegar.
Falta uma política que dê horizonte aonde queremos chegar em 10 anos, em 20 anos, em 50 anos. Essa falta, coloca todos - na mesma situação - discutindo sempre a discussão e não o caminhar.
E quando se perde tempo, discutindo teses, teorias, ficamos parados, como aquela centopeia da fábula.
A centopeia ia p'ro seu almoço matinal, quando o macaco perguntou. Centopeia, Com qual pé você dá o primeiro passo? Ela parou, ficou pensando. Veio a noite, o outro dia. A resposta não apareceu, o tempo passou e com ele a oportunidade de almoçar.
Assim estamos nós, todos brasileiros e brasileiras.
E uns dois por cento da população ganhando muito dinheiro com isso, ié, com a ignorância e com nossa falta de objetividade.
Não sei pra onde, aliais não precisamos saber, mas com certeza - precisamos, simplesmente, ir.
Um pais se constroi com trabalho, e...
Papai seu fã.
Apolinario
Olá, minha linda!!!
Como sempre, mais um texto preciso e contundente!!!
Discutir fundamentos,tomar um posicionamento e argumentar sobre: SEMPRE!!!
Ser conivente, passiva e omissa: NUNCA!!!!!
Beijocas!!
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