quarta-feira, 17 de março de 2010

EU ODEIO A VIVO!!!

Tenho certeza que vocês também odeiam as operadoras de vocês, porque no final das contas, são todas uns lixos. Mas fala sério: entrei na furada do VIVO 3G ..pois minha net é mais lenta que o bom e velho IG...roda ... roda ... roda ... não é nada ilimitada, não é banda larga...é só enganação.

BREVE COMENTÁRIO...

Hoje o funcionalismo público do Rio de Janeiro e vários municípios será liberado mais cedo para comparecer "passeata do Cabral" em defesa do dimdim do Rio. Alguns prefeitos, como o de São João de Meriti, criatura politicamente ignorante, chega ao ponto de dizer que os funcionários são obrigados a participar ou terão falta no ponto(?) Como se cidadania pudesse ser imposta a pulso e a força, e que prefeito e "coronel" fossem a mesma coisa... o que não é novidade, visto que as prefeituras das baixadas estão cheias desses pequenos despostas, tubarõeszinhos que nada sabem sobre democracia. O mais engraçado da "convocatória" do Cabral, é que quando o funcionalismo - educação, saúde, segurança etc etc - vai para rua reclamar as migalhas borolentas que recebe, são chamados de vagabundos e baderneiros...ué...agora os vagabundos são convocados para ir fazer "baderna" com o Cabralzinho e secar suas lágrimas porque perderá muito da verba que usaria para seu fundo de campanha? Vai chorar no colo do amiguinho Lula.
Eu até iria se nosso governador e prefeito explicassem porque um estado que recebe 7 bilhões paga R$ 500,00 para os professores, transforma as escolas em depósitos de crianças - já que muitas vezes nem professores eles tem - transforma os hospitais em depósitos de lixo humano - já que muitas vezes nem médicos, nem remédios, nem material hospitalar eles tem - transforma nossas estradas em um cassino - porque radar tem, mas asfalto, sinalização, segurança não tem - enfim eu até iria, mas sinceramente não tenho a menor vontade de ser usada por esses políticos incompetentes que estão há tanto tempo dirigindo esta cidade apenas para uso fruto. O Rio é só maquiagem, é só propaganda, é só confete... no fundo é uma cidade e um estado abandonado... alguém dúvida??? Procure o posto de saúde mais próximo, assista uma semana de aula em uma escola pública - se professor tiver - dirija seu carro pelas ruas da cidade e pare em qualquer sinal de vidro aberto...

domingo, 14 de março de 2010

DESABAFO...

Quero trabalhar, não consigo. Meu pensamento voa triste como ave que migra sem esperança de encontrar pouso em algum lugar. Meus olhos correm as linhas e páginas e as palavras começam a soar como uma ironia de alguém, que em algum lugar, esta rindo de nossa lenta, longa e constante agonia. Pobres autores...confrontados com a crueza da realidade acabam sendo tomados como ingenuos, loucos ou simplesmente tolos. Pobre de mim que tantas palavras gasto tentando alimentar em mim – muito mais do que nos outros – a esperança que me move. Paro. Sinto perde-me de mim mesma. Pergunto-me o quanto nossos sonhos e nossas esperanças precisam ser fortes, e até que ponto o são?
O Cotidiano. Este lugar que tanto me ensina, que tanto me provoca e desafia, de repente me devora. O mundo é conflito...mas de repente a espada pende, o braço cansa, a furia para, a alma foge e você nem vê mais sentido na batalha. “Covarde...levanta e luta!”. Grita uma voz longe e rouca...
“Luta. Lembra que o tempo não caminha em uma só direção, o mundo não caminha inexoravelmente em um único sentido, por isso cada dia é um dia de lutar contra os ventos que te empurram, derrubam, trazem e levam. Luta.”
Amanhã... Hoje não.
Hoje quero chorar a impotencia de nossas vozes cansadas, silenciadas e apagadas. Quero me juntar aos meus e reclamar da vida, amaldioçar a sorte, contar os dias, ter vontade de partir...
Hoje quero ficar assim, de mal com o mundo e achar que melhor compahia faz meu cão, que mais inteligencia tem meu gato e que a especie humana – Darwin errou – involui! Queria mesmo era estar na sombra de uma árvore colhendo frutas e catando piolho. Isso sim traria um pouco mais de dignidade ao ser humano.
Hoje quero ficar assim mesmo, razinza, cinza, cansada...Hoje pedi divorcio de minha condição humana, de minha condição de sujeito, de minha condição histórica e quero deixar-me aqui ...
Hoje quero ser o “outro” de mim mesma. Quero poder rir de minhas crenças tolas, de minha esperança infantil e até dessa minha mania moderna de querer consertar o mundo...
Hoje quero me permitir não acreditar, não esperar, não mudar.
Mas só hoje...Porque amanhã o tempo, implacavelmente, me trara de volta. E mais uma vez eu lutarei contra os ventos que insistem em nos jogar contra as pedras, contra os perversos que insistem em nos transformar em lixo, contra os desmandos, contra a injustiça e contra o silêncio...e talvez ainda...contra esse “outro” que habita em mim.

Hoje acordei só casca...

Descobri que a desesperança é uma espécie de doença que se esconde no fundo de nosso coração e vai se alimentando de tudo que nele habita, deixando-o vazio. Um vazio que vai crescendo e consumindo todo o corpo por dentro, até que sejamos apenas casca.
Hoje acordei casca. Fico com essa saudade boba de mim mesma e vasculho todos os cantos a procura da esperança que nos alimenta a alma, desta força que nos move, que derrota todos os tiranos, que enfrenta todas as vilanias, que socorre os fracos, que inspira os poetas.
Hoje acordei só casca. Os olhos escuros nada revelam ao espelho. As mãos sempre estendidas aos outros em busca de novos companheiros pendem pesadas ao longo do corpo. Não mais convidam, nem mais combatem, não mais acolhem, nem mais rejeitam, apenas encolhem. Não por covardia. Não é o medo, não é rendição ou entrega, apenas apatia, cansaço.
Hoje acordei só casca. Os pés se movem, mas não como antes, pisando firme um solo que sabe ser o seu, seguindo confiante por um caminho que sabe que lhes pertence. Onde estão as árvores que plantamos, onde estão nossas flores, nossos jardins?
Por que tenho que seguir por este caminho seco de sonhos e de vida se trago as mãos calejadas de tanto revirar esta terra? Os pés feridos de tanto caminhar entre as pedras, buscando um pedacinho que seja de terra boa e fértil? Os pés se movem, mas não mais caminham...
Hoje acordei só casca. A desesperança invade, contamina, apaga, coroe cada recanto da alma. Vago nesta escuridão procurando por minha esperança perdida. Mas só a solidão habita o vazio. Recuso-me acreditar em sua morte. Sei que vou encontra-la encolhida no canto, sofrida e calada, esperando, esperando, pois é só o que a esperança pode fazer quando nos desencontramos: esperar que eu reencontre o caminho dentro de mim até ela e a salve, para nos salvar.

MATRICULAS ON LINE...

Estamos chegando a segunda quinzena do mês de março e ainda existem alunos em transito, sem saber para qual escolar ir no município do Rio de Janeiro. Por que? Porque não se administra uma rede com mais de 1000 escolas pelo twitter. O deslumbramento com a mídia eletrônica - que uso e defendo - não pode nos cegar para as condições estruturais e sociais para a implementação de uma matricula on line. Como foi a matricula este ano: os pais foram informados que deviam ligar para pólos de matricula onde as diretoras haviam sido transformadas em telemoças efetuariam as matriculas; contudo não ficou claro para grande parte da população que se tratava apenas de uma pré-matricula, que precisaria ser efetivada com a apresentação da documentação dos alunos na secretária da escola, o que levou muitos pais a enviarem seus filhos para a escola no primeiro dia de aula e se depararem com a seguinte situação: seus filhos não estavam matriculados e outras crianças já ocupavam as vagas dos seus filhos. Énquanto isso a escola tentava "consertar" as milhares de matriculas feitas erradas no pólo de matricula já que, desconhecendo a realidade das outras escolas, muitas "telemoças", matricularam alunos em turmas erradas, que às vezes a escola nem sequer possuia. As aulas recomeçam em meio a esta confusão, professores sem saberem quem são seus alunos, alunos sem estarem matriculados, matriculados errados, turmas sendo superlotadas para "resolver" o problema...
Enquanto isso lemos emocionados o lançamento de mais um projeto mirabolante, mais um grande evento para o lançamento de mais uma bobagem travestida de educação...
Perguntem aos pais que tem seus filhos estudando em escolas da rede (principalmente nos grandes CIEPs e que não posam para as fotografias oficiais) ...eles sabem a verdade e a gritaram em nossos ouvidos várias vezes: Isso aqui está uma bagunça!
Não tenho como discordar!

Algumas questões sobre a Avaliação da Rede Municipal do Rio de Janeiro.

Achei interessante a avaliação da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro sobre os dados estatísticos produzidos pelos instrumentos de medida – não chamo de avaliação, pois avaliação é uma prática muito mais complexa – utilizados para conhecer – ou assim pretender – a realidade das 1063 escolas da rede.
Infelizmente parece que faltam algumas informações sobre nosso passado recente, que são sistematicamente ignoradas pelos gestores e pela mídia. Assim venho contribuir para que uma reflexão mais séria seja produzida, antes que as noticias veiculadas produzam inverdades.
Primeiro quero chamar atenção para o fato de que a tal “promoção automática” só aconteceu durante um ano – 2008 – na rede municipal. Antes disso o que tínhamos – e continuamos tendo – foi a promoção automática nos três primeiros anos de escolaridade, chamado ciclo de alfabetização, e depois o aluno cursava séries, com possibilidade de retenção sim, da terceira série até a oitava série. Em outras palavras o aluno que hoje cursa o 7º ou 8º ano passou sua vida inteira, com exceção de um único ano, em uma escola seriada, podendo ser retido, ser devidamente reprovado a qualquer momento, por que não o foi? Acaso seu fracasso foi produzido neste único ano? Sua vida escolar anterior foi indiferente? Já o 5º ano aparece com o melhor resultado. Ora os alunos do 5º ano passaram pelo ciclo de alfabetização sem detenção e depois pela aprovação automática em 2008. Ele ingressou na rede a exatos 5 anos atrás. Como explicam isso? Vão continuar eternamente culpar um ano de aprovação automática pelos resultados pífios de uma vida escolar inteira?
Segundo quero chamar atenção para o claro naufrágio do argumento que as provas constantes produziriam melhor qualidade de ensino. Provas não produzem qualidade de ensino, o que produz qualidade de ensino é ensino. Os números mostram que ao contrário do que se defendia, os alunos foram decaindo ao longo da maratona de provas, enquanto os alunos dos anos iniciais, que estudaram no ciclo de formação foram os que obtiveram os melhores desempenhos. E que fique claro: não estou fazendo uma defesa do ciclo ou da aprovação automática, tampouco da política do governo anterior, apenas sugerindo que examinem melhor os dados produzidos, e conheçam melhor a história da rede.

Andréa Serpa.

Sobre prêmios e bônus...

Não. Não ganho o suficiente, tampouco o justo por meu trabalho. Não ganho, com certeza o que ganharia qualquer professora com minhas qualificações e experiência em um país que tivesse – para além de belos discursos – um compromisso sério e honesto para com a educação de seu povo. Apesar de tudo isso, não quero prêmios, nem bônus... Como também não quis e não quero que o povo com seus impostos, pague por minha casa, por minha gasolina, por minhas viagens, arque com os salários de minha família, e de meus amigos, não quero embolsar o dinheiro que mataria a fome, que traria abrigo, que salvaria vidas, que traria a paz. Não quero trabalhar somente de terça à quinta, não quero receber porcentagens por compras absurdas, por obras superfaturadas. Quero apenas um salário digno e justo para realizar um trabalho digno e justo, em condições dignas e justas. Mas isso me foi e é historicamente negado, usurpado, negligenciado.
Ao invés disso me oferecem prêmios. Prêmios que partem do principio que não faço meu trabalho com a seriedade, com o compromisso que ele exige. Que parte da premissa que eu não ensino porque não quero, porque não me empenho o bastante, mas que agora, diante da possibilidade de ganhar a ridícula quantia que é um salário de professor a mais, eu trabalharei. Agora, em troca da possibilidade de conseguir pagar minhas contas sem o auxilio do banco, por pelo menos um mês...eu trabalharei. Agora que receberei “um agradinho” não ficarei mais doente e meus alunos aprenderão o que até então não sabiam. Tão acostumados estão a própria lógica – de só fazerem alguma coisa mediante a “um agradinho” – que tomam a todos nós como seus iguais. Revela-se a armadilha: se mascarar os resultados para ganhar meu prêmio, confirmo a premissa de que o fracasso é culpa de meu descaso. Se não mascarar os resultados, se me comprometer com minha consciência, possibilito que digam que a questão salarial não é importante, pois nem mesmo por mais dinheiro o professor faz direito seu trabalho.
Pois que fiquem com meu bônus! E se dinheiro tivesse pagaria dobrado para que assumissem nossos lugares, nossas escolas, nossos alunos por um ano e demonstrassem na prática o resultado que tanto desejam. Se dinheiro tivesse pagaria dobrado para ver nossos iluminados “especialistas”, nossos competentes “técnicos” e nossos eficientes “gestores” demonstrarem nas suas classes superlotadas com nossas bem educadas crianças e jovens, em nossas tranqüilas comunidades, com nossos fartos recursos, como seu trabalho “ótimo” é inimigo do nosso trabalho “bom”. Afinal é fácil encher a boca para se dizer educador quando nunca se colocou os pés em uma sala de aula de verdade, que provem suas verdades com ações!
Pois que fiquem com meu bônus e o utilizem para contratar os profissionais que a escola precisa: orientadores, inspetores, assistentes sociais, psicólogos. Fiquem com meus bônus e o utilizem para investir na infraestrutura que as famílias necessitam para educar seus filhos – trabalho, saúde, cultura, esporte, saneamento, segurança, etc – pois não existe escola pública que conseguira o sucesso escolar diante de tanto fracasso social.
Fiquem com meu bônus. E não o quero. Não em troca de mascarar nossa realidade com avaliações estéreis e inúteis, não em troca de ocultar nossa realidade neste município, neste estado ou neste país. Não estou a venda. Não coloquei minha consciência em leilão.
Naturalmente sei que existem muitas diferenças entre os profissionais da rede municipal. Como existem diferenças entre os profissionais do Estado e do país. Mas é justo comparar seus desempenhos? Ou ainda: é justo comparar seus desempenhos sem levar em consideração a diversidade de suas realidades? Sem oferecer as mesmas condições, possibilidades, infra-estrutura? É justo comparar as pessoas quando lhes são singulares as trajetórias, as oportunidades e o acesso à formação e informação?
Se for, proponho que comecemos então um grande sistema de avaliação comparativa entre governos: que seja estabelecido um salário base para cada governador, para cada prefeito, para cada secretário. Que eles tenham suas gestões avaliadas pela população e recebam seus salários em porcentagens de acordo com suas notas obtidas. Que marquem seus cartões de ponto, que comprovem seu desempenho com mais do que palavras. E não vale chorar dizendo que o colega de outra secretaria ou cidade tem mais ou menos dinheiro, mais ou menos problemas: isso não cabe na avaliação comparativa! Todos os estados, todos os municípios, todas as secretarias são iguais e pronto! Vamos gastar nossos impostos somente com aquelas que consigam comprovar sua eficiência, as demais serão punidas com menos verba até que se mostrem merecedoras. Como vão melhorar sem investimento? Não interessa, nesta lógica somos todos coletores do sucesso, ninguém quer ser responsável pelo plantio.
Comecemos, portanto, a comparar: Comparar nossos salários e a infraestrutura dos recursos humanos, por exemplo, com os salários e recursos dos outros municípios – alguns muito menores e com orçamento muito mais humilde – no Estado do Rio de Janeiro. Comparemos e perguntemos: por que algumas prefeituras pagam o dobro do que recebemos aos seus professores? Por que algumas prefeituras possuem um plano de cargo e salários melhores do que nós? Por que algumas prefeituras contam com especialistas concursados: Coordenador Pedagógico e Orientador Educacional? Por que algumas prefeituras possuem inspetores de alunos, coordenadores de turno, secretário escolar (obrigatório por lei para as escolas particulares)?
Comecemos a comparar os discursos, coquetéis, notícias e todo espetáculo orquestrado com os fatos de nosso cotidiano: o que de fato mudou? O que de fato garantiu mais qualidade em nosso trabalho? O que de fato mudou na vida de nossos alunos? Nossa vida profissional está melhor? Nossa auto-estima está melhor? Nossa escola, está de fato, melhor?
Temos com certeza muito o que comparar nestes próximos anos...
Andréa Serpa
23/07/09