Descobri que a desesperança é uma espécie de doença que se esconde no fundo de nosso coração e vai se alimentando de tudo que nele habita, deixando-o vazio. Um vazio que vai crescendo e consumindo todo o corpo por dentro, até que sejamos apenas casca.
Hoje acordei casca. Fico com essa saudade boba de mim mesma e vasculho todos os cantos a procura da esperança que nos alimenta a alma, desta força que nos move, que derrota todos os tiranos, que enfrenta todas as vilanias, que socorre os fracos, que inspira os poetas.
Hoje acordei só casca. Os olhos escuros nada revelam ao espelho. As mãos sempre estendidas aos outros em busca de novos companheiros pendem pesadas ao longo do corpo. Não mais convidam, nem mais combatem, não mais acolhem, nem mais rejeitam, apenas encolhem. Não por covardia. Não é o medo, não é rendição ou entrega, apenas apatia, cansaço.
Hoje acordei só casca. Os pés se movem, mas não como antes, pisando firme um solo que sabe ser o seu, seguindo confiante por um caminho que sabe que lhes pertence. Onde estão as árvores que plantamos, onde estão nossas flores, nossos jardins?
Por que tenho que seguir por este caminho seco de sonhos e de vida se trago as mãos calejadas de tanto revirar esta terra? Os pés feridos de tanto caminhar entre as pedras, buscando um pedacinho que seja de terra boa e fértil? Os pés se movem, mas não mais caminham...
Hoje acordei só casca. A desesperança invade, contamina, apaga, coroe cada recanto da alma. Vago nesta escuridão procurando por minha esperança perdida. Mas só a solidão habita o vazio. Recuso-me acreditar em sua morte. Sei que vou encontra-la encolhida no canto, sofrida e calada, esperando, esperando, pois é só o que a esperança pode fazer quando nos desencontramos: esperar que eu reencontre o caminho dentro de mim até ela e a salve, para nos salvar.
Hoje acordei casca. Fico com essa saudade boba de mim mesma e vasculho todos os cantos a procura da esperança que nos alimenta a alma, desta força que nos move, que derrota todos os tiranos, que enfrenta todas as vilanias, que socorre os fracos, que inspira os poetas.
Hoje acordei só casca. Os olhos escuros nada revelam ao espelho. As mãos sempre estendidas aos outros em busca de novos companheiros pendem pesadas ao longo do corpo. Não mais convidam, nem mais combatem, não mais acolhem, nem mais rejeitam, apenas encolhem. Não por covardia. Não é o medo, não é rendição ou entrega, apenas apatia, cansaço.
Hoje acordei só casca. Os pés se movem, mas não como antes, pisando firme um solo que sabe ser o seu, seguindo confiante por um caminho que sabe que lhes pertence. Onde estão as árvores que plantamos, onde estão nossas flores, nossos jardins?
Por que tenho que seguir por este caminho seco de sonhos e de vida se trago as mãos calejadas de tanto revirar esta terra? Os pés feridos de tanto caminhar entre as pedras, buscando um pedacinho que seja de terra boa e fértil? Os pés se movem, mas não mais caminham...
Hoje acordei só casca. A desesperança invade, contamina, apaga, coroe cada recanto da alma. Vago nesta escuridão procurando por minha esperança perdida. Mas só a solidão habita o vazio. Recuso-me acreditar em sua morte. Sei que vou encontra-la encolhida no canto, sofrida e calada, esperando, esperando, pois é só o que a esperança pode fazer quando nos desencontramos: esperar que eu reencontre o caminho dentro de mim até ela e a salve, para nos salvar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário